sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Desembargador Dilermando Mota causando o maior constrangimento na Mercatto

Veja o relato enviado por Ricardo Sousa ao Jornal GGN:
Venho utilizar esse espaço para relatar um fato ocorrido em Natal (RN) no último domingo (29), que retrata com muita clareza o nível de afastamento que os juízes e desembargadores têm da realidade social e da boa convivência com a cidadania. Vamos ao fato.


Domingo pela manhã, na ensolarada Natal, várias pessoas tomam café na padaria Mercatto, um dos mais bonitos e aconchegantes espaços para uma boa refeicão matinal na minha cidade. Pessoas das mais variadas atividades se encontram no local. Nesse domingo, especialmente, a casa astava lotada, pois estamos em final de ano e vivemos uma época de reencontro e confraternização familiar.
Em uma das mesas encontra-se o desembargador Dilermano Mota, futuro presidente do TRE (Tribunal regional Eleitoral), juntamente com sua família e amigos. O filho do magistrado pede água, e o mesmo, gelo. O garçom, que procurava atender da melhor forma as várias mesas ocupadas, tenta cumprir sua missão. No entanto, a autoridade reclama que queria a água em copo de vidro e que ele não tinha trazido o gelo. O funcionário se afasta para refazer, ou melhor contornar o problema, e é seguido pelo desembargador, que, aos gritos, humilha o rapaz, exige que o mesmo olhe em seus olhos, afirma que é uma autoridade e que pode prendê-lo. E, na frente de todos, dá um show de autoritarismo, falta de educação, falta de respeito ao próximo e outros requisitos que são indispensáveis a um cidadão e fundamentais a um membro da Justiça.
Um cidadão que se encontrava à mesa vizinha se revolta com o fato, e imediatamente, intervém e protesta aos gritos, afirmando que não aceitaria esse tipo de humilhação a que estava sendo submetido o garçom. Nesse momento várias pessoas já filmavam o ocorrido e a situação ficava cada vez mais séria.
O magistrado disse que iria prender o cliente, e chamou a polícia. Em pouco tempo, quatro viaturas, isso mesmo quatro viaturas, vieram cumprir a missão. O desembargador, aos gritos, exigia ao oficial que prendesse o cidadão. No entanto, os clientes se rebelaram e, em coro, disseram que quem deveria ser preso era o senhor juiz, ao ponto de uma senhora abraçar o cidadão e afirmar ao policial: “se for prendê-lo, vai me prender também”.
A cena de autoritarismo ocorrria agora do lado de fora, onde o desembagador afirmava ao tenente que tinha sido desacatado ao mesmo tempo que o chamava de “cagão” por não cumprir sua ordem. Acuado, mas protegido por uma rede de cidadania, o cliente ficou dentro do estabelecimento e, com a ajuda de alguém, saiu do local.
Aí, começou o outro lado da história. As deploráveis cenas se alastraram nas redes sociais, a sociedade se soliridarizou com o senhor Alexandre Azevedo. Empresário de 44 anos, que só depois do ocorrido veio saber quem era a pessoa que tinha enfrentado. Recebeu apoio e emitiu uma nota, em que relata o fato.
O desembargador sentiu o golpe da velocidade da informação e tentou se explicar, minimizando o ocorrido com o funcionário e atribuindo o ocorrido a forte reação e destempero do cliente. A padaria emitiu um comunicado vaselinado, em que disse tudo para ficar em cima do muro e não se comprometer.
A comunidade natalense em peso apoia o garçom da Mercatto, que foi colocado de folga para descansar enquanto a poeira baixa.
Mais um triste episódio protagonizado pelos imperadores da Justiça, que se acham mais importantes do que todos. No entanto, a sociedade a cada dia se revolta com essas atitudes, e reage mostrando que já não suporta esses atos.
CAMOCIM INFORMADOS

Um comentário:

  1. Parabéns, Alexandre! Você representa todos os cidadãos que não se omitem diante de injustiças e situações abusivas, e que ainda são capazes de se indignarem. O desembargador encontrou, finalmente, alguém corajoso o suficiente para enfrentá-lo.

    Esse togado arrogante deve ter um ego narcisista patológico. Provavelmente, não passa de um recalcado, com complexo de inferioridade, querendo satisfazer a personalidade doentia pisando nos mais humildes. E é um incompetente: pois deveria saber que não há desacato fora das circunstâncias de exercício da função. Pelo contrário, o que houve foi um evidente abuso de poder.

    Compreendo que, em algumas situações, é extremamente difícil manter a elegância e comedimento. Tamanha humilhação, realmente, não poderia ficar incólume. Sua atitude o surpreendeu sobremaneira. Esse tipo de gentalha está apenas acostumada com a impunidade, subserviência e adulação.

    Parabéns novamente! Você enriquece a orgulhosa tradição brasileira de almas corajosas e vibrantes, que jamais tremeram diante dos mais poderosos. Cada uma dessas pessoas, a sua maneira, deram sua pequena ou grande contribuição ao reagirem contra os absurdos voluptuosos dos empoderados.

    Vejo em você o tratorista Amilton dos Santos; o estudante Vítor Suarez Cunha; a professora Lenita Oliveira; vejo em você cada agricultor anônimo, conterrâneo seu, que labuta diariamente na terra seca, coberta pela carcaça da rês e esquecidos até mesmo por Deus - em contraste com a luxúria de uma minoria parasitária, como alguns desses magistrados. E vejo em você, principalmente, o respeito à dignidade e à honra humana.

    O Brasil está ao seu lado!
    Um forte abraço!

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