RETIRADO DO FACEBOOK, ENTENDA UM POUCO SE QUISER É CLARO, SOBRE AS MANIFESTAÇÕES EM NOSSO PAÍS.
AUTOR: Tiago Coutinho
Há uma tendência nos noticiários de querer mostrar que todos esses acontecimentos no Brasil resultam de uma espontaneidade dos brasileiros. Isso me parece uma estratégia de querer deslegitimar toda a história dos movimentos sociais envolvidos nessas manifestações.
O principal pivô, o MPL (Movimento Passe Livre) tem, pelo menos, 10 anos de existência. O Comitê Popular da Copa vem se articulando e movimentando desde o anúncio do Brasil como sede da copa. Esses movimentos historicamente são autônomos, mas contam com a apoio de muita gente, inclusive partidos de esquerda, em especial PCB, PSTU e PSOL. Mas repito, os movimentos são autônomos e vem conseguindo agregar muita gente, muitas outras bandeiras históricas.
Por isso, faz tanto sentido a intertextualidade com Magritte, quando se difunde: (isto não é vinte centavos). As cidades-sede da copa estão em chamas, isso é muito bonito de se ver e tem provocado uma "contaminação" maravilhosa, daí talvez o pensamento ligeiro de dizer que seja espontâneo. Aqui no Juazeiro, não temos como pauta nem o aumento das passagens, nem problemas de remoção da copa, temos o abuso de poder de Raimundão e suas ações extremamente autoritárias.
Muita gente insatisfeita toma fôlego diante de tudo que vem acontecendo no Brasil a fora e no mundo. Isso é muito bonito e devemos agregar ao máximo. Por isso, proibir bandeiras de partidos que historicamente estão envolvidos nessas lutas, que não começaram semana passada, aí sim, me parece oportunismo e um desrespeito com vários agentes sociais. Considero bem diferente utilizar bandeiras do PSDB ou do Nazismo.
Esses grupos já mostraram o mal que fizeram a humanidade. Particularmente, não me sentiria nem um pouco feliz em estar ao lado de alguém declaradamente nazista. Qual foi o mal que o PSOL, PSTU e PCB fizeram a humanidade? Eles não estão ajudando a construir esses atos em todo o Brasil? As bandeiras de luta não me incomodam. Por outro lado, acho também desnecessário, da parte dos partidários, ficarem tensionando por quererem suas bandeiras erguidas.
Sei que a palavra PROIBIR é muito forte e nos enfurece. "É proibido proibir", dizia aquele festival. Mas tenhamos um pouco de calma. Eu, desde 2011, sou filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), particularmente não levarei bandeira porque não gosto de usar bandeiras de partidos, prefiro cartazes, músicas, palavras. E fico me perguntando se num seria mais interessante investirmos nossas forças em difundir palavras, ao invés de somente símbolos. Algumas coisas estão me incomodando não só aqui neste ato, mas em todos do Brasil. Não gosto, particulamente, desta ode ao hino nacional e à bandeira brasileira. Movimentos Nacionalistas tendem - vejam bem, não digo que seja um regra - a serem fascistas.
Então me preocupa esse excesso de verde e amarelo. Mas encaro que nesse momento, conflitar com essas manifestações não seria estratégico. Estamos em luta, mas não podemos perder o diálogo. O mais importante, nisso tudo, é pensarmos porque estamos indo para a rua. Um cartaz dizia "desculpe o transtorno, mas estamos mudando o Brasil".
E como mudar o Brasil? Aí cabe a nós, em cada canto do Brasil, vermos nossas pautas. Aqui nossa manifestação combate a personificação do que há de mais arcaico na política: RAIMUNDÃO. Mais do que gritar contra ele, termos o gozo de ocupar as ruas, não podemos esquecer que queremos mesmo é conquistas sociais.
Nesse sentido, garantir um plano de carreira digno para os professores municipais é fundamental. Esse é o primeiro passo, se conseguirmos, ficamos mais forte e podemos, sei lá, derrubá-lo em seguida e instalarmos um poder popular em Juazeiro, uma cidade historicamente radical em suas ações políticas. Enquanto isso, vamos trocando informações. Damos boas notícias daqui, recebemos boas notícias das outras conquistas, e aos poucos, construírmos a REVOLUÇÃO, a TRANFORMAÇÃO. Acho importante trazer esta palavra para ordem do dia. E eu diria que essas marchas só poderiam proibir um tipo de setor: aqueles que não querem nem a revolução, nem a transformação. Finalizo com as palavras de Leminski, cuja imagem carrego na camisa, talvez seja esta a minha bandeira (espero que não proibam):
"Ainda vão me matar numa rua.
Quando descobrirem,
principalmente,
que faço parte dessa gente
que pensa que a rua
é a parte principal da cidade"
"Na luta de classe,
todas as armas são boas:
pedras,
noites,
poemas"
Até mais tarde, galera, e vamos à luta com nossas pedras e nossos poemas...
FONTE: FACEBOOK DE THIAGO COUTINHO
CAMOCIM INFORMADOS
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